73,1% dos jovens gostam da escola, mas 39% gostam das aulas

Ao todo, 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos, responderam a um questionário que aborda várias vertentes das suas vidas. Os adolescentes fumam menos, usam menos o preservativo, auto agridem-se mais. Perto de 54% gostam dos professores, 61,8% dizem que a matéria é aborrecida. Há assuntos a discutir, medidas a tomar. Um relatório que deve ser lido por todos os pais e professores.



Como estão os estilos de vida e comportamentos dos adolescentes portugueses? E como têm evoluído? As respostas encontram-se no HBSC/OMS (Health Behaviour in School – aged Children), um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que analisa os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. O estudo tem sido realizado em Portugal de quatro em quatro anos, desde 1998, pela equipa Aventura Social na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, e no Centro de Malária e Doenças Tropicais da Universidade Nova de Lisboa. No nosso país, em 2014, o estudo foi financiado pela Direção-Geral de Saúde.

Em 2014, para o relatório nacional “A Saúde dos Adolescentes Portugueses (2014) foram inquiridos 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal Continental, com idades entre os 10 e os 20 anos - 52,3% raparigas, 47,7% rapazes. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online – questionários que foram aplicados nas turmas em sala de aula. O estudo surge numa altura especialmente relevante, uma vez que permite estimar o impacto da recessão económica na saúde dos adolescentes.

A pedido do EDUCARE.PT, Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do projeto, destaca os resultados que mais surpreendem pela positiva e pela negativa. Pela positiva, a diminuição do consumo de tabaco e os resultados não serem tão maus quanto o esperado, tendo em conta as dificuldades na vida dos portugueses nos últimos quatro anos. Pela negativa, várias situações. “O panorama muito negativo da saúde mental dos jovens que manifestam vários sintomas de mal-estar, físico e psicológico, e o facto de as escolas e os centros de saúde não estarem preparados para acolher estes jovens”, refere. “Os jovens referem ainda uma grande desesperança face ao futuro e uma menor crença de que a educação ajuda. Este facto remete para uma diminuição do aumento da escolaridade dos portugueses nesta geração”, acrescenta.

A provocação entre pares aumentou, pela primeira vez, desde 2002. Também está na parte negativa, bem como o aumento dos jovens que se auto agridem. O que, na opinião da coordenadora do estudo em Portugal e também psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, “remete para a falta de atenção geral em relação à saúde mental dos jovens e ao seu apoio no confronto com as dificuldades do dia a dia e na regulação das suas emoções por meios mais saudáveis”. A diminuição do uso do preservativo e a falta de gosto dos alunos pelas aulas são também fatores negativos. “Ainda bem que gostam dos intervalos, pena é que também não gostem das aulas, uma vez que a pergunta admitia a múltipla resposta”. “Preocupante numa altura em que tanto se fala de alimentação saudável – por causa do excesso de peso – e agora que tanto se fala de alimentação insuficiente, pela crise económica, é que a cantina seja o que os jovens menos gostam na escola”, comenta.

Perante os resultados, o que é que a sociedade e as escolas devem fazer? Margarida Gaspar de Matos pede prudência e que se encontrem planos B e C para que os jovens não fiquem reféns das políticas desta ou de uma outra tutela. Em seu entender, a aposta deve centrar-se nos próprios jovens e na sua formação para que saibam agir e de um modo que possam transformar a sociedade. Apostar nas organizações de jovens ligadas a várias áreas também é importante. E as autarquias não podem ficar de fora. “Neste segundo ano de atividade, o grupo Dream Teens vai agir por todo o país, a partir das autarquias da região onde moram, tentando ligar-se aos autarcas e contribuir para uma melhor qualidade de vida dos jovens, e não só, da sua zona. Vão também comentar este estudo e propor soluções”, adianta ao EDUCARE.PT.

“Se não há plano B acontece o que aconteceu, uma tutela inculta no que diz respeito à psicologia do desenvolvimento, às necessidades emocionais e desenvolvimentais das crianças e dos adolescentes. E lá vão pela janela 20 anos de investimento na dinâmica das escolas promotoras da saúde.” Segundo Margarida Gaspar de Matos, as escolas e os alunos ficaram muito prejudicados com a abolição das áreas curriculares não disciplinares. “Perderam ‘adultos de referência’ com quem podiam semanalmente discutir assuntos de saúde, relações interpessoais, cidadania, etc. Perderam a possibilidade de se ligar à escola sem ser num âmbito puramente académico. Perderam-se anos de investimento no bem-estar dos alunos.” “Entende-se que foi em nome da crise, mas há prioridades e temo bem que estas tenham sido vistas na tutela por um olho economicista e ignorante em matérias de saúde, bem-estar, cidadania”, afirma.

Trabalhos de casa e a pressão dos jovens

O estudo tem dados relevantes quanto ao ambiente escolar. Comparando dados nacionais com dados internacionais, verifica-se uma fragilidade na relação dos adolescentes portugueses com a escola. “Eles são dos que pior perceção têm da sua competência escolar, são dos que maior pressão sentem com a vida escolar, mas são dos que mais dizem gostar da escola.” “O papel da escola na vida e no futuro dos adolescentes é pois um problema diversas vezes apontado e sem evolução positiva desde 1998”, lê-se no estudo.

Ao todo, 73,1% dos jovens inquiridos afirmam que gostam da escola, 26,9% não gostam da escola. E o que é que mais gostam na escola? A maioria (87,1%) responde que gosta dos colegas e 86,1% dos intervalos, da hora do recreio. Nesta pergunta, que admitia múltiplas respostas, seguem-se as atividades extracurriculares com 60,8%, os professores com 53,9% e as aulas com 39%. São os mais novos que afirmam ter uma melhor relação com os professores. E são os rapazes e os mais novos que dizem ter uma melhor relação com os colegas da escola. “Observa-se que conforme os jovens vão ficando mais velhos referem menos frequentemente gostar/gostar muito dos colegas, dos intervalos e das atividades extracurriculares”, refere o estudo.

Mais de um quarto (27,7%) refere sentir alguma pressão com os trabalhos de casa, 9,3% dizem que essa pressão é muita e 32,4% referem que não sentem qualquer pressão. São os alunos do 6.º ano que mais dizem não sentir nenhuma pressão com os trabalhos de casa, os do 8.º ano sentem pouca e os do 10.º ano sentem alguma pressão. Ou seja, conforme vão ficando mais velhos, mais sentem a pressão dos trabalhos de casa. No questionário, 73,5% dos alunos dizem que, às vezes, a matéria é muito difícil, 61,8% que é aborrecida e 60,9% que é demasiada. No entanto, mais de um terço (44,2%) garante que raramente ou nunca tem dificuldades de concentração nas aulas e 42,9% no estudo. Na comparação entre géneros, são as raparigas que mais referem que quase nunca ou nunca a matéria é inútil, que sentem muita pressão dos pais, ou que sentem que há problemas no ambiente da escola. Os rapazes, por seu turno, mencionam mais frequentemente que quase nunca ou nunca a matéria é demasiada e muito difícil e raramente ou nunca sentem dificuldades de concentração nas aulas e no estudo. Cerca de 43% dos jovens consideram que os professores acham que a capacidade académica dos alunos é média -13,2% dizem que é muito boa. São os rapazes que referem mais frequentemente que a perceção dos professores sobre a sua capacidade é muito boa. As raparigas referem mais frequentemente que essa mesma perceção é média.

Quanto ao futuro, 54,9% dos jovens pensam continuar os estudos no ensino superior, 10,8% não sabem o que vão fazer. A percentagem dos alunos que querem entrar na universidade é superior do lado das raparigas. Os rapazes pensam mais em cursos técnicos ou profissionais.

Nos últimos seis meses, 24,6% dos adolescentes revelam ter sentido preocupações com o futuro quase todos os dias. Cerca de 12% admitem andarem ou ficarem preocupados praticamente todos os dias. As raparigas e os jovens mais velhos são os que se sentem mais preocupados. No entanto, cerca de 40% mencionam que não deixam que as suas preocupações interfiram com os restantes aspetos da sua vida. São os rapazes e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que referem que tentam resolver o assunto que os preocupa, fazendo algo que gostam muito, pedindo ajuda a um adulto ou tentando não pensar nessa questão.

Autoagressão aumenta

Quase 80% dos jovens afirmam que nunca se envolveram em lutas no último ano. Os rapazes referem mais frequentemente ter lutado na escola, enquanto as raparigas fazem-no mais frequentemente em casa, sobretudo com os irmãos ou irmãs. A maioria (79,7%) refere não se ter magoado a si próprio, mas mesmo assim 4,8% dizem tê-lo feito quatro vezes ou mais, e 8,8% uma vez durante os últimos 12 meses. Dos que se magoaram de propósito, 59% admitem que se sentiram tristes e 53,3% fartos durante esse comportamento. E mais de metade (51,7%) diz que se magoou de propósito cortando-se. Mais de metade fê-lo nos braços. São as raparigas e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que mais frequentemente referem que se magoaram propositadamente nos últimos 12 meses.

Quanto à sexualidade, 87,2% dos adolescentes referem que ainda não tiveram relações sexuais. Dos jovens do 10.º ano, 76,2% afirmam que tiveram a sua primeira relação sexual aos 14 anos ou mais. A maioria (70,5%) afirma ter utilizado o preservativo na primeira relação sexual. Ao todo, 24,1% dos rapazes contam que não utilizaram preservativo na primeira vez. O terço dos que tiveram relações sexuais e não usaram preservativo revela, como principal motivo, não ter pensado nisso. Há ainda outras razões como não ter preservativo ou por serem caros ou ter bebido álcool em excesso.

Trinta e um por cento dos jovens do 8.º e 10.º anos contam que foi utilizada a pílula contracetiva na última vez que tiveram relações sexuais. As raparigas referem mais frequentemente que a pílula não foi o método utilizado na última vez. São os rapazes mais velhos, do 10.º ano, que também dizem que a pílula não foi o método utilizado na última relação. Mais de metade, 54,7%, conta que não utilizou o coito interrompido na última relação sexual.

São as raparigas que dizem mais frequentemente que não tiveram relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas. “Dos jovens que referem já ter tido relações sexuais, os rapazes referem mais frequentemente que gostariam que a primeira vez tivesse acontecido mais cedo, e as raparigas referem mais frequentemente que esta ocorreu na altura certa, que preferiam que tivesse acontecido mais tarde, e que não queriam realmente ter tido relações sexuais”, revela o relatório.

Em 2014, há uma diminuição do uso de preservativo e um aumento de relações sexuais associadas ao consumo de álcool. “Especialmente preocupante é esta associação do não uso com o consumo de bebidas alcoólicas, sugerindo a identificação de um grupo de risco agravado a necessitar de medidas urgentes de prevenção seletiva”, alerta o estudo.

Menos consumo de tabaco

A maioria dos jovens (77,8%) refere que nunca experimentou tabaco. São as raparigas que mencionam com mais frequência que já experimentaram tabaco. Mais de um terço (35,7%) menciona ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 14 anos ou mais – a média é de 13,04 anos. Os rapazes referem mais frequentemente ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 11 anos ou menos. A maioria (58,8%) diz que nunca experimentou álcool e que nunca se embriagou (82,8%). A média de idade de experimentação de álcool é de 12,8 anos e a de embriaguez de 13,94 anos. Os jovens mais novos, do 8.º ano, mencionam mais frequentemente ter experimentado álcool pela primeira vez aos 11 anos ou menos e aos 12 anos, e terem experimentado a embriaguez aos 11 anos ou menos, aos 12 e aos 13 anos. Os jovens mais velhos, do 10.º ano, referem com mais frequência ter experimentado álcool e embriaguez pela primeira vez aos 14 anos ou mais. A cerveja é a bebida mais consumida.

A grande maioria (93,7%) responde que nunca experimentou drogas ilegais. São rapazes e os mais velhos que referem já ter experimentado. Dos jovens que já experimentaram drogas, cerca de dois terços fizeram-no aos 14 anos ou mais – a média de idade é de 13,76 anos. Dos que referem consumir, cerca de um quinto (19,7%) diz que o faz regularmente. Ao todo, 7,9% revelam que já experimentaram marijuana. Quanto ao tipo de drogas, a substância que os adolescentes referem mais frequentemente ter experimentado são os solventes, seguindo-se a marijuana – canábis, haxixe, erva.

E como estamos em relação aos tempos livres e ao uso das novas tecnologias? Mais de metade dos adolescentes (58,1%) vê entre uma e três horas de televisão durante a semana, aumentando para quatro ou mais ao fim de semana. Os jovens do 8.º ano são os que veem mais horas quer à semana quer ao fim de semana. Durante a semana, metade dos inquiridos (50,5%) joga computador meia hora ou menos. Ao fim de semana, mais de um terço (39,5%) joga computador entre uma e três horas – os rapazes mais do que a raparigas. Cerca de metade dos adolescentes utiliza o computador para conversar, navegar na Internet, enviar emails, fazer os trabalhos de casa da escola, entre uma e três horas durante a semana e são os adolescentes que frequentam o 6.º ano que utilizam o computador menos horas durante a semana e ao fim de semana.

Cerca de 40% dos jovens falam semanalmente com os amigos através de mensagens em tempo real como o Facebook. Mais de um terço comunica com os amigos semanalmente através de uma rede social e são as raparigas que o fazem com mais frequência. A maioria (60,3%) refere que raramente ou nunca tira selfies para enviar aos amigos ou para publicar online. Em termos de comunicação por mensagens escritas, mais de um quarto usa-as diariamente com os amigos – elas mais do que eles. A maioria (67,9%) refere que raramente usa o email para comunicar com os amigos.

Ao nível de dependência da Internet, são os rapazes e os jovens do 8.º ano que apresentam médias superiores. Quanto ao cyberbullying, situações de provocação com recurso a novas tecnologias, a maioria (89%) garante não se ter envolvido nesse tipo de provocação. Os rapazes envolvem-se mais frequentemente como provocadores e as raparigas como vítimas. O duplo envolvimento, como provocador e como vítima, é mais reportado pelos rapazes.

4,9% não tomam pequeno-almoço

Mais de metade dos adolescente (53,4%) considera ter um corpo ideal – mais eles do que elas. E mais de metade não está a fazer dieta porque o peso, na sua opinião, está bom. Pouco mais de metade (51%) pratica atividade física três vezes ou mais por semana – eles mais do que elas. Futebol, natação, basquetebol e ginástica são os desportos mais praticados pelos jovens – eles mais futebol e basquetebol, elas mais natação e ginástica. Os jovens do 10.º ano praticam menos atividade física, verificando-se que o exercício vai diminuindo ao longo da idade. São os jovens mais novos, do 8.º ano, que apresentam melhores resultados tanto na condição física geral como na condição física específica.

A maioria dos jovens refere que se alimenta bem (71,5%). No entanto, mais de dois terços dos jovens dizem que às vezes comem alimentos pouco saudáveis (73,2%) ou que comem de mais (63,9%). A maioria dos adolescentes toma o pequeno-almoço todos os dias durante a semana (84,8%) e ao fim de semana (84,3%). Mesmo assim, há uma percentagem de 4,9% que nunca tomam a primeira refeição do dia durante a semana e 5,1% ao fim de semana. No tipo de alimentação, verifica-se que a maioria come fruta (50,5%) e vegetais (57,8%) pelo menos uma vez por semana. São as raparigas que mais frequentemente consomem fruta e vegetais pelo menos uma vez por dia. A maioria dos adolescentes consome doces pelo menos uma vez por semana (65,1%) e metade (50,75) consome refrigerantes também pelo menos uma vez por semana. São os jovens que frequentam o 10.º ano que consomem mais doces e refrigerantes pelo menos uma vez por semana. A maioria (84,5%) refere que nunca ou quase nunca bebe café.

A maioria dos jovens (69,9%) lava os dentes mais do que uma vez por dia. Mais de um terço dorme oito horas (36,1%) ou mais do que oito horas por semana (35,1%). Ao fim de semana, a maioria dorme mais de oito horas (69,1%). São as raparigas que dormem mais ao fim de semana. A maioria dos adolescentes refere raramente ou nunca sentir sonolência durante o dia, mas um terço menciona ter dificuldades em acordar de manhã (34,4%) quase todos os dias.

Apesar de a maioria considerar ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe, 29% referem ter dificuldades em dialogar com o pai. No diálogo com os progenitores, os rapazes consideram ser fácil falar com o pai, enquanto as raparigas dizem ter dificuldade em comunicar com o pai. Cerca de um terço diz que raramente ou nunca toma o pequeno-almoço com a família, enquanto que a maioria (82,7%) refere que todos os dias janta com a família. Quanto ao impacto do desemprego no ambiente familiar, quase metade dos jovens diz que o desemprego do pai não tem afetado o seu bem estar emocional ou a relação entre ambos. Cerca de 30% dos jovens que têm o pai desempregado referem que a situação afetou para melhor a relação entre pai e filho e 10% respondem que afetou para pior. Mais de metade (60,8%) refere que o desemprego da mãe em nada tem afetado o bem-estar emocional. Devido à crise económica, os jovens valorizam mais o que têm, poupam mais dinheiro e dão mais importância aos estudos e a tirar boas notas.

Jovens mais tristes estão no Algarve

A maioria dos adolescentes tem três ou mais amigos e um ou vários especiais com os quais pode sempre contar e nos quais sente que pode confiar. Mais de metade menciona ser fácil falar com o melhor amigo sobre os assuntos que os preocupam, além de ser fácil fazer novos amigos. A maioria diz que tem um bom apoio e uma boa qualidade de relação com os amigos. Mais de dois terços ficam com os amigos depois das aulas. Nas saídas à noite, a maioria responde que não sai nenhuma noite com os amigos durante a semana. A maioria dos jovens inquiridos tem animais de estimação e os que os têm referem que lhes proporcionam quase sempre ou sempre alegria, companhia, carinho, tranquilidade. O estudo sublinha, a propósito, que “o papel dos animais de estimação nos afetos e qualidade de vida dos adolescentes parece um assunto a merecer maior estudo”.

Cerca de metade dos adolescentes considera que a sua saúde está boa. Os resultados demonstram que é preciso atenção. “As preocupações dos adolescentes, bem como o decréscimo global desde 2010 da sua saúde percebida tanto a nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente”.

Dos resultados obtidos, verifica-se que são os jovens do Norte que menos consomem bebidas destiladas e que menos ficam embriagados. São os jovens do Centro que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, que raramente bebem refrigerantes e que durante a semana dormem oito horas. São também os que mais frequentemente dizem gostar da escola, que são bons alunos e que têm expectativas de continuar os estudos depois do secundário. São jovens que dizem que não fumam e que nunca consumiram drogas no último mês.

Os adolescentes de Lisboa são os que apresentam mais frequentemente excesso de peso, dores de cabeça e que estão nervosos quase todos os dias e são também os que mais frequentemente referem já ter tido relações sexuais e que usaram preservativo na última relação sexual. No Alentejo estão os jovens que mais frequentemente referem ter relações sexuais associadas ao consumo de álcool. Os jovens do Algarve são os que praticam mais atividade física e os que sentem mais dores de costas, cansaço e exaustão, os que mais se sentem tristes ou deprimidos, que mais consomem tabaco e ainda os que mais admitem terem provocado ou terem sido provocados.

Educare, 5 de janeiro de 2015

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório do Estudo HBSC 2014:
http://aventurasocial.com/arquivo/1419012306_HBSC_relatorio_Final.pdf