5 passos para uma parentalidade positiva

Quando somos pais “deixamos de ser a imagem e passamos a ser a moldura” (Richard Branson). Não porque tenhamos de ser pais perfeitos ou porque deixemos de importar. Pelo contrário.

Devemos querer, a cada dia, ser a melhor versão de nós próprios. Para que possamos ensinar aos nossos filhos a serem a melhor versão de si próprios. Não para nos agradar, para ter a nossa aprovação ou para impressionar os outros.

Mas por eles próprios, para que, como seres independentes e livres que são, possam alcançar os seus sonhos e objetivos – presentes e futuros – com integridade, valores, sabendo distinguir o certo do errado, o que querem e o que não querem. Essencialmente com a confiança e a segurança de que serão capazes. Porque nós lhes ensinámos isso com o nosso exemplo. E quanto mais cedo começarmos, melhor.

É fácil deixarmo-nos levar pela rotina dos dias. E acomodarmo-nos ao que existe. Tantas vezes, sem querer. Tantas outras sem sequer darmos por isso. Simplesmente deixamo-nos levar e quando damos por nós, passaram meses, anos.

E sem querer, vemo-nos parados no meio de um trilho poeirento. Olhamos para trás para tentar descortinar onde foi que tudo começou, onde foi que nós ficámos, onde foi que ficou a pessoa que éramos quando vimos o rosto do nosso bebé pela primeira vez, como nos tornámos as pessoas que somos hoje, os pais e as mães que somos hoje. Mas, por alguma razão, parece que já não se consegue ver o início do caminho onde nos encontramos. Mas consegue-se.

Volte atrás e siga estes passos. Verá como mudarão a sua vida. E a sua relação com os seus filhos.

1. Descubra o seu propósito
Pode parecer uma tarefa árdua e trabalhosa a mudança. No entanto, desprender-se dos traços que o (a) prejudicam – a si próprio interiormente e na sua interação com os outros – e iniciar um caminho na direção da pessoa que realmente quer ser, do pai ou mãe que quer ser, que sempre desejou ser, é o primeiro grande passo para se tornar mais consciente, uma pessoa mais calma, menos afetada pelos turbilhões de estímulos e exigências exteriores que o(a) rodeiam.

Primeiro tem de pensar sobre o seu propósito. Precisa de descobrir qual é o seu papel, qual é o seu objetivo, a sua missão enquanto pai ou mãe. Transporte-se para aqueles momentos em que desejava ardentemente ser pai ou mãe. Recorda-se? O que planeava na altura? Que tipo de pai ou mãe dizia que seria? Qual é que acha que é a sua missão enquanto pai ou mãe? O que o(a) motivou a querer ter filhos?

2. Defina o seu propósito
Depois de descobrir o seu propósito principal enquanto pai ou mãe, depois de encontrar as respostas que lhe fez chegar a esse lugar onde está agora, defina o seu propósito. Decida que passos quer dar a partir de agora. Decida o que quer mudar. Trace um plano. Para definir o seu propósito, olhe para si. Bem para dentro, para que possa conectar-se totalmente com quem é, com quem quer ser.

Defina o seu propósito de forma clara e ao pormenor, pois ao definir o tipo de pai ou mãe quer ser, já está a ganhar consciência e a criar essa realidade. Uma nova realidade para si mesmo(a) e para a sua família. Estará a redefinir – ou talvez a definir pela primeira vez – o seu objetivo e a sua missão como pai ou mãe. E, na verdade – talvez pela primeira vez – esteja a reconhecer e a constatar que tipo de relacionamento tem com os seus filhos e que relação quer ter.

Agora sabe um dos maiores segredos dos pais pacíficos.

3. Simplesmente seja o pai ou mãe que quer ser
Todos desejamos ser a melhor versão de nós próprios. E enquanto pais, isso não poderia ser mais importante.

É importante não apenas para nós, mas porque estamos a guiar pessoas pequenas que precisam de uma liderança segura, emocionalmente estruturada, baseada na compreensão e na empatia. Na segurança emocional. No respeito e no amor. Pesquise sobre a parentalidade pacífica. E veja como e porque é que este tipo de parentalidade funciona.

Faça seu objetivo de vida cumprir o seu propósito. Agora é o momento em que vive. Agora é o momento que pode escolher quem quer ser, o pai ou mãe que quer ser. Sermos pais pacíficos é uma escolha diária. Uma escolha.

Seja a pessoa que quer ser. Seja o pai ou mãe que quer ser. Livre-se das suas próprias correntes que o(a) deixam encarcerado(a) no seu passado. Ofereça aos seus filhos quem você realmente quer ser. Ofereça-lhes o seu melhor lado. A sua essência mais sensível, a sua compreensão. A sua ajuda.

4. Seja grato
A gratidão é um dos grandes passos da mudança. E é um dos grandes segredos dos pais pacíficos. Quando somos gratos, desapegamo-nos de sentimentos de controlo e abrimo-nos a uma serie de outros sentimentos que vivem mesmo abaixo da superfície. Sentimentos como a flexibilidade, a empatia, a aceitação. Que de alguma forma e por algum motivo que só você pode saber, não deixa que saiam cá para fora.

5. Assine um contrato
Como uma promessa, um juramento, uma declaração solene, é de extrema importância que tenha um compromisso escrito, um contrato onde se compromete à sua finalidade, aos seus objetivos para com os seus filhos. Escrever e assinar o seu próprio contrato vai ajudá-lo(a) a manter o seu propósito e ficar focado(a) no que definiu para si e para a relação com os seus filhos. Uma promessa escrita é um voto forte, um acordo que faz consigo, onde se compromete a criar os seus filhos de uma forma calma. Positiva. Rica.

Para mudar, é fundamental que se comprometa com a mudança. Se queremos ser pais mais calmos, mais conscientes, mais disponíveis emocionalmente, com mais paciência, darmos passos pequenos, gerirmos e transformarmos os nossos sentimentos é o caminho a seguir. E isso passa por uma transformação interior profunda, que implica reflexão e ação. Uma transformação que vale a pena.

Este pode ser um processo curto ou longo. Depende de si e só de si. Mesmo que sinta que depende de fatores exteriores. Não depende. Depende apenas de si. Agora. Pode começar agora mesmo.

E neste novo caminho, viva um dia, um momento de cada vez. Um passo de cada vez. Depois tente no dia seguinte, no momento seguinte. E depois no outro e no outro e no outro. Verá que vai conseguir.

(in http://uptokids.pt 28.10.2015)

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