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Ensinar as crianças a brincar aprendendo valores e bons hábitos
Enviado por Domingo, Maio 16 @ 14:34:40 CEST por Amaral

Artigos de opinião Em «Vamos Jogar!», o pediatra Eduard Estivill e a escritora Yolanda Sáenz de Tejada ajudam-no a fazer dos filhos «melhores pessoas». No livro, agora publicado em Portugal, divulgam-se actividades didácticas entre pais e filhos para ensinar valores e bons hábitos às crianças.
Leia, a seguir, a entrevista concedida a um jornal português.

Eduard Estivill e Yolanda Tejada assinam uma obra à qual emprestam distintas sensibilidades e largas doses de bom senso. Publicamos, a seguir, a entrevista publicada no DESTAK.

- Os filhos de hoje têm piores hábitos que os do passado? E os pais?

Eduard Estivill: O ritmo de vida actual, a entrada da mulher no mundo laboral e a diminuição do número de irmãos por família condicionaram a superprotecção dos filhos, sobretudo nos hábitos essenciais: sono, alimentação, higiene, comunicação. Os pais do passado não eram melhores que os de hoje, que simplesmente têm menos tempo, mas preocupavam-se mais com a educação.

- No prefácio diz ter esperança de «aproximar as crianças dos adultos ou ao contrário». Os adultos não devem perder a capacidade de sonhar?

Yolanda Tejada: Que não percamos a capacidade de surpresa, que voltemos a ter a ilusão por pequenas coisas, que voltemos a jogar e a rir muito. Uma criança ri mais 80% que um adulto.

- As crianças só aprendem jogando?

Eduard Estivill: A educação é um conjunto de hábitos e normas sociais necessários à vida em sociedade. Educar as crianças é ensinar estas normas que depois farão com que a criança seja aceite na sociedade e se sinta mais segura de si mesma e mais feliz. O jogo é só um veículo para repetir as normas que queremos incutir, de uma forma mais divertida, tanto para a criança como para os pais.

- A coerência e a paciência são os pilares da educação, mas são difíceis de manter...

Eduard Estivill: Totalmente certo. É difícil manter a paciência e a coerência. Por isso recomendamos jogos para alcançar estes objectivos. Estes jogos foram testados por pais, pedagogos, educadores e professores. Isso justifica os 80 mil exemplares do livro vendidos em Espanha e a edição do livro em Itália, Brasil e Portugal.

- Como se deve contornar a falta de tempo dos pais?

Eduard Estivill: Entendendo que o importante não é a quantidade mas sim a qualidade. É muito melhor brincar com a criança durante meia hora antes do jantar do que duas horas a ver televisão depois de jantar.

- Qual é o hábito - comunicação, leitura, sono, comida, conduta, higiene - que falta mais às crianças actuais?

Yolanda Tejada: Não depende das crianças mas sim dos adultos. Para cada adulto a importância de cada hábito não é igual. Se para mim não for importante que o meu filho coma verduras, não sentirei a falta desse hábito. Mas o hábito que mais descuramos, regra geral, é o da comunicação.

Sobre o livro

O objectivo do livro «Vamos Jogar!» é «fornecer uma série de conceitos, apresentados na forma de jogos, para que os pais possam inculcar melhores hábitos nos seus filhos», explica no prólogo da obra, o co-autor Eduard Estivill.

Nesta aventura pedagógica, editada em Portugal pela Livros d'Hoje, o pediatra e neurofisiologista espanhol contou com a experiência maternal da criativa e escritora Yolanda Sáenz de Tejada, ligada a projectos de investigação sobre comportamentos infantis.

Juntos, partindo de conceitos científicos comprovados, apresentam uma série de «actividades fáceis de executar e que são particularmente válidas do ponto de vista educativo». Isto tendo por premissa «a facilidade das crianças em captar ensinamentos e copiar os padrões de conduta dos adultos». É que os petizes não nascem ensinados e cabe aos progenitores apontar as direcções a seguir no sentido de aprenderem a «movimentar-se pela vida com segurança e responsabilidade».

A transmissão de valores, o processo de habituação através da repetição e do bom exemplo (neste ponto é imperiosa a coerência entre a teoria e prática) e até o seu grau de estoicismo, nunca desistindo perante as contrariedades (leia-se berrarias, lágrimas ou ataques de nervos), são absolutamente fundamentais nesta fórmula para se obterem bons resultados.

Ingredientes base

Na receita proposta em «Vamos Jogar!» a Emoção e a Planificação têm o mesmo grau de importância. A dupla sugere que os pais devem recuperar a alegria de quando eram pequenos, sendo cada jogo acompanhado de amor e do sorriso que «tantas vezes tendemos a esquecer». Já em termos de Planificação, «se criarmos expectativas, será mais fácil que as crianças desfrutem», como quem tem um objectivo em mente e sente a inerente satisfação quando consegue realizá-lo.

Neste moroso processo é certo e sabido que «não somos infalíveis». «Os pais que se equivocam são mais humanos. Se assumirmos que não sabemos algo, mas que vamos tentar encontrar a resposta, o nosso filho pensará que tudo tem uma solução. Os nossos enganos, se os admitirmos, aproximar-nos-ão mais deles», afiançam Eduard Estivill e Yolanda Sáenz de Tejada.

Mais, «para ensinar é preciso ouvir» e rever a nossa infância e a tradicional sensação de incompreensão dessa fase etária será útil nesse processo de identificação com a nossa prole. Por fim, os autores recomendam «o amor louco», pois que «um pouco de carinho nunca é de mais e não há que ter quaisquer pudores em demonstrá-lo publicamente.

Bons hábitos

Ao longo de 277 páginas aprendemos que esse acto essencial na vida das crianças que é o Jogo é possível de ser explorado no sentido educativo e meramente recreativo. Na lista de jogos há a promessa da aquisição de bons hábitos na Comida, de Conduta, de Higiene, de Comunicação, de Estudo, de Leitura e de Sono.

O mesmo será dizer que, em jeito de brincadeira, se aprende a pôr a mesa, a comer o pequeno-almoço sozinho, a ser pontual às refeições, a não ter ciúmes, a ser altruísta, a valorizar a prática desportiva, a tomar banho sozinho, a gerir o tempo, a escolher a roupa para vestir, a perder o medo do médico, a não ter vergonha, a dar valor à família, a gostar de estudar, a treinar a memória, a explorar o talento artístico ou a adormecer sozinho. Tudo porque, como disse um dia Allan Bloom, «a educação é o movimento da obscuridade em direcção à luz».

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Vera Valadas Ferreira | DESTAK
19 | 04 | 2010

 
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